Teia de Ideias
Brussels’ Story

- “Do you know where you have to go?” - disse a simpática moça no metrô.

Os dois se entreolharam. Um olhar de conhecimento intenso, de uma vida inteira. No entanto, haviam se conhecido há menos de 24 horas. Como era de se esperar, responderam ao mesmo tempo. “Yes, thank you!” E comentaram animadamente a educação e simpatia encontradas num metrô decadente, nos subterrâneos de Bruxelas. 

Para um deles, a viagem havia sido programada em função de uma conferência. Já o outro brasileiro, residente em Dublin, Bruxelas era a última parada de uma viagem de “férias” que já durava seis dias. No dia seguinte, partiriam os dois de volta à realidade de suas vidas. Por obra do destino, ou da tecnologia, acabaram se esbarrando pelas surreais redes sem fio. Dali pro encontro real, foi um pulo. 

Dois lugares vagaram, os dois se sentam e continuam um papo que já durava horas e havia passado por todos os tópicos imagináveis, alguns mais de uma vez. Um deles, lamentava ter tomado tantas cervejas na noite anterior e ter se sentido tão ébrio. Já o outro dizia que naquela dia não queria cerveja e sim vodka, pois adorava a sensação de perder o controle. Ah o controle…. Um desejava o que o outro temia. De repente, ao olhar pela janela do metrô, um deles quase grita: “-É aqui!!” E o outro responde quase no mesmo tom: “Então vamos!” Levanta-se e vai em direção à porta que já começa a se fechar. O segundo ainda diz: 

“Não vai dar tempo, R…..” Mas o primeiro consegue se esgueirar pela porta. Uma cena que sugere um defenestramento.

A porta se fecha. Separados pelo vidro, eles se olham por um segundo. Ou seria uma eternidade? O que ficou pra trás levanta a mão num sinal de despedida e o outro gesticula dizendo que ficará esperando enquanto ele vai até a próxima estação e volta. Ele se vira e se senta no banco do metrô, que já começou a movimentar, e um pensamento lhe vem à mente. Apesar de ser leonino, ele nunca gostou de ser o centro das atenções, odiava passar vexame na frente de muitas pessoas e sempre foi muito tímido. Há de se pensar que essa situação seria, portanto, uma experiência traumática, já que o metrô estava bastante cheio. Mas, por incrível que pareça, não foi. E foi nisso que ele pensou. Como parecia a ele que não existia mais ninguém naquele vagão; era como se naquele momento só os dois existissem, numa cumplicidade interrompida apenas por uma camada de sílica. Muito provavelmente, durante aqueles poucos segundos, ele fora o foco da atenção de todos os outros passageiros, todos olhavam para os dois, mas ele não podia afirmar, era como se ele estivesse em outra dimensão. 

Na estação seguinte, subiu as escadas aos pulos, atacado por uma ansiedade que há muito tempo não sentia, não queria sentir. E, ao voltar, encontrou o outro sentado na plataforma contralateral e foi como se a vida retomasse, enfim, seu rumo. Era como voltar a respirar, depois de um mergulho profundo. Voltar a enxergar, depois de passado o efeito do colírio para dilatar pupilas. Voltar a sentir o coração bater, depois de tanto tempo parado. Saíram da estação comentando o quão inusitada havia sido a situação e como se parecia com história de cinema. Mas o que aconteceu ali, naquele momento, provavelmente nenhum dos dois se deu conta. E talvez fosse melhor assim…

The One I Love(d)

É só uma música….

Mas não era. De repente, naquela pista de dança apinhada de amantes do brega, ele se sentiu sozinho. E, curiosamente, todos seus amigos tinham debandado. Ao olhar para os lados, não reconheceu ninguém. Obra do universo, pensou.
“Alô? Oi, a festa tava ótima, mas deu vontade de falar com você e eu saí aqui…”

A lembrança dessa ligação trouxe a primeira onda de lágrimas, queimando seus olhos e seu peito. E depois da ligação, a mensagem, horas mais tarde. Acordou com o som do celular.
“Ah jeito triste de ter você….”
Lembrou-se de ter respondido com o restante da letra. Da felicidade que sentiu naquele momento. Há quanto tempo não se apaixonava assim? Nem lembrava.

Mas tudo não passava de encenação, mentira. Será? Aquele email foi apagado, mas as palavras nunca sairiam da sua mente. Muito menos a dor que sentiu, como se estivesse sendo cortado ao meio. E assim veio a segunda onda de lágrimas, e ao fundo a música. “Há uma nuvem de lágrimas sobre meus olhos…”
Aqui o pranto já está rolando, e cadê meus amigos? Alguns minutos transformam-se em horas, séculos.

Mesmo após sete meses, tudo ainda mexia com ele e isso o assustou muito. E, finalmente, o livro. Aquele que estava guardado (melhor seria dizer “escondido”) na estante. Aquele que não devia ser nomeado. Aquele que não fora, e talvez nunca seria, lido. Aquele que trazia na dedicatória “Você é vida pra mim”. Aquele que representou o fim de toda uma vida que ele já tinha planejado pros dois. Agora, restavam apenas essas lembranças. Essas, que vieram com a música. Ah, Fafá, se você soubesse…

Mas a música acabou. Seus amigos reaparecem, as pessoas ainda estavam dançando ao seu redor. A vida segue seu curso. Outras músicas virão, outros amores também. Cabe a ele apenas dançar…

Sunday Night Blues

Hoje eu lembrei de você.

Assim, de repente, como uma brisa de fim de tarde.

A lembrança veio com um sorriso

Daqueles que eu sempre dava quando estávamos juntos.

Eu ouvi a sua voz perfeitamente no meu ouvido,

Senti sua respiração,

Seu cheiro.

Incrível como todos meus sentidos ficaram aguçados!

Até que eu percebi que você não estava realmente aqui,

E voltei à realidade nua e crua da minha implacável noite de domingo.

Das mentiras que os homens contam

Desculpa se eu não entrei no seu joguinho

Eu adoro jogos, mas só daqueles que a gente embarca numa realidade virtual

Na vida real, eu prefiro ser honesto comigo e com o outro.

Desculpa se eu demonstrei que gostava de você

É que pra mim isso é muito natural e eu não preciso esconder meus sentimentos

Na verdade, costumo ser bem transparente quanto ao que sinto.

Desculpa se eu não aceitei ficar no seu balaio

É que, como diz um amigo meu, eu sou gato mas não nasci pra balaio

Prefiro um colinho aconchegante e carinhoso.

Desculpa se eu não te tratei como você esperava

Se meu corpo não explodiu em fogos de artifício e meu coração não saiu pela boca ao te ver

Mas pra mim, se não há reciprocidade, não há nada.

Desculpa se eu não te tratei como uma transa de final de semana

É que eu achei que você merecia mais do que isso

Assim como eu sei que mereço.

Porque você povoa os meus pensamentos

E está em tudo que eu faço

Porque você tira o meu sono

E espanta os meus medos

Porque você pode me fazer feliz.

Porque você me acorda todas as manhãs

E se deita comigo todas as noites

Porque você me alimenta

E mata minha sede

Porque você é meu oxigênio

E também meu cansaço

Porque você é o amor que eu quero pra mim

E me dá a certeza de ainda estar vivo

O Laço e o Abraço

Meu Deus! Como é engraçado!

Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço… uma fita dando voltas. Enrosca-se, mas não se embola, vira, revira, circula e pronto: está dado o laço. 
É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de
braço. É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido, em qualquer coisa onde o faço.

E quando puxo uma ponta, o que é que acontece? Vai escorregando… devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço.

Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido. E, na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço.

Ah! Então, é assim o amor, a amizade. Tudo que é sentimento. Como um pedaço de fita. Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora, deixando livre as duas bandas do laço. Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade.

E quando alguém briga, então se diz: romperam-se os laços.
E saem as duas partes, igual meus pedaços de fita, sem perder nenhum pedaço. Então o amor e a amizade são isso… Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam.

Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço!
 
(Mário Quintana - será??)

My burning heart
Oh how it yearns
To be intrigued
At every turn
I’ve tried so hard
To walk the line
But nothing keeps me satisfied

“Maybe i’m not up for being a victim of love
All my resistance will never be distance enough

Driving away from the wreck of the day
And it’s finally quiet in my head”

Pessoas entram na sua vida por uma “Razão”, uma “Estação” ou uma “Vida Inteira”.
Quando você percebe qual deles é, você vai saber o que fazer por cada pessoa.
Martha Medeiros (via fuckingfeel)